Publicado por: envirotools | 17 março, 2011

Crise no Japão repercute em planos nucleares na América Latina

Após os graves problemas surgidos em Fukushima 1, no Japão, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou na terça-feira (15/3) a suspensão do programa de construção de uma central nuclear no país.

“Ordenei ao ministro [da Energia Rafael] Ramirez congelar os planos desenvolvidos, os estudos preliminares do programa nuclear pacífico venezuelano”, afirmou Chávez, durante uma cerimônia transmitida pela televisão. ”Não tenho dúvida de que isso [a potencial catástrofe nuclear no Japão] irá alterar muito fortemente os planos de desenvolvimento de energia nuclear no mundo”, acrescentou.

A Venezuela assinou em 2010 um acordo com a Rússia para a construção de uma central nuclear. Esse projeto provocou a inquietação dos Estados Unidos, que classificaram a medida de “perigosa”, devido à estreita relação da Venezuela com o Irã e aos depósitos de urânio existentes no país sul-americano.

Dos 439 reatores nucleares no mundo, seis estão na América Latina. Até agora, a energia nuclear só é utilizada em três países da região: Argentina, Brasil e México.

O precursor da tecnologia foi a Argentina, onde foi instalada a primeira usina nuclear da América Latina. Hoje, o país tem duas usinas nucleares em funcionamento e uma terceira em construção. As autoridades em Buenos Aires minimizaram o risco de que ocorra um desastre similar ao japonês no país.

Argentina aposta em energia nuclear

O gerente de relações institucionais da Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) da Argentina, Gabriel Barceló, alega que não há razão para uma mudança de planos, já que o país não está em uma zona sísmica e utiliza em suas centrais uma “tecnologia diferente” da adotada na central de Fukushima. O Greenpeace da Argentina rebate esses argumentos. “Embalse está situada em uma zona sísmica, na província de Córdoba”, declarou um diretor da organização, Juan Carlos Villalonga.

Central Nuclear de Embalse, em Córdoba, Argentina. Buenos Aires afirma que usinas são seguras

A central nuclear Atucha 1, localizada nas margens do rio Paraná de las Palmas, cerca de 100 quilômetros a noroeste de Buenos Aires, teve construção iniciada em 1968 e entrou em operação em 1974. A usina Atucha 2 ainda está em construção, mas deverá entrar em funcionamento ainda este ano. As obras de Atucha 2 ficaram paralisadas por mais de 20 anos, tendo sido retomadas em meados de 2007.

A central nuclear de Embalse, localizada na cidade homônima, na província de Córdoba, foi a segunda usina nuclear conectada à rede na Argentina. Embalse, considerada hoje o maior motor térmico da América do Sul, está localizada a 100 quilômetros da cidade de Córdoba e a 700 quilômetros de Buenos Aires.

As três centrais são operadas pela Neoeléctrica Argentina S.A. e são responsáveis por 6,2% do abastecimento de energia do país. Porém, é provável que essa cifra venha a aumentar no futuro, já que em dezembro passado foi confirmada a notícia de que a empresa americana Westinghouse vai construir a quarta usina nuclear na Argentina: Atucha 3.

Brasil deve “parar um pouco para pensar”

No Brasil, 3,1% da oferta total de eletricidade é gerada por energia nuclear. Os brasileiros têm atualmente duas usinas nucleares em atividade e uma em construção. A Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAA), conhecida como Central Nuclear de Angra, está localizada na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, estado do Rio de Janeiro.

Em 1982, Angra 1 foi conectada à rede, Angra 2 começou a operar em 2000 e em junho de 2010 foi iniciada a construção de Angra 3.

Embora o governo brasileiro preveja a construção de outras quatro usinas nucleares, após o desastre no Japão o presidente do Congresso, José Sarney, disse que ocorreu “uma mudança muito séria na visão que vamos ter que ter em relação às usinas nucleares fornecedoras de energia” e que é necessário “parar um pouco para pensar”.

Ativistas antinucleares mexicanos alertam para riscos

A central nuclear Laguna Verde, localizada em Punta Limón, Veracruz, é a única usina nuclear do México e gera 4% da oferta total de eletricidade do país. Laguna Verde tem dois geradores, que foram inaugurados em 1989 e 1995.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Usinas Angra 1 e 2, no BrasilLocalizada na costa do Golfo do México, a cerca de 70 quilômetros da cidade de Veracruz, a central é muito criticada por associações ambientalistas. O grupo antinuclear Madres Veracruzanas afirma que Laguna Verde tem as mesmas características e seu sistema de resfriamento é baseado no mesmo sistema que a usina de Fukushima, acusando que “se houver eventos naturais semelhantes aos observados no Japão, provavelmente sofreremos as mesmas circunstâncias”.

Chile mantém planos, apesar de crise japonesa

Além de Brasil, México e Argentina também há outros países latino-americanos que apostam na energia nuclear. Na próxima sexta-feira, Barack Obama vai visitar o Chile, justamente para discutir projetos conjuntos em matéria de energia atômica.

Apesar do acidente devastador no Japão e do fato de ser um dos países mais afetados por terremotos e tsunamis, o governo chileno não mudou de planos. ”O Chile necessita olhar isso tudo em um horizonte de longo prazo”, desconversou o ministro da Energia do país, Laurence Golborne, ao justificar a cooperação com Washington em meio à preocupação com a crise nuclear no Japão.

No momento, o Chile dispõe de dois pequenos reatores experimentais em La Reina e Lo Aguirre, destinados a fins medicinais e de pesquisa.

Fonte

Publicado por: envirotools | 10 janeiro, 2011

Família britânica produziu apenas uma sacola de lixo em 2010

Família Strauss

 

Uma família britânica diz ter conseguido produzir apenas uma sacola de lixo em todo o ano de 2010.

O casal Richard e Rachelle Strauss e a filha Verona, de 9 anos, reciclam praticamente tudo, plantam grande parte da própria comida e transformam restos de alimento em adubo.

Além disso, eles compram produtos diretamente de produtores locais para evitar embalagens em excesso e quando vão ao açougue, por exemplo, eles levam os próprios recipientes.

Em 2009, eles conseguiram reduzir sua produção de lixo para apenas uma lata. Em 2010, os Strauss, que vivem em Longhope, no condado de Gloucestershire, eles decidiram aumentar o desafio e não produzir lixo nenhum.

“Estamos muito felizes com o resultado. Nós sabíamos que produção ‘zero’ de lixo seria impossível, mas se você não colocar as metas lá no alto, nunca vai saber o que pode alcançar”, disse Rachelle Strauss.

A pequena sacola de lixo continha alguns brinquedos quebrados, lâminas de barbear, canetas e negativos fotográficos.

Contaminação por plástico

A ideia de reduzir drasticamente a produção de lixo da família surgiu em 2008, mas quando Rachelle falou com o marido sobre sua proposta, percebeu que ele não estava interessado.

“Richard só resolveu encampar a ideia depois de ler uma série de artigos sobre os danos causados à vida marinha pela contaminação por plástico. Ele ficou muito impressionado”, disse Rachelle à BBC Brasil.

Os Strauss começaram o desafio reduzindo o uso de plástico. Depois, passaram a reciclar e reaproveitar cada vez mais, além de usar baterias recarregáveis e painéis solares para gerar energia.

A experiência foi contada em um site na internet, o www.myzerowaste.com, que acabou virando referência sobre reciclagem e tem mais de 70 mil visitantes por mês.

“Para quem quer reduzir a produção de lixo, minha primeira dica seria pensar no que você está comprando e escolher produtos com menos embalagem e com invólucros que sejam recicláveis. Em segundo lugar, é importante evitar o desperdício de alimento. Aqui na Grã-Bretanha, um terço da comida que compramos acaba no lixo. Em terceiro lugar, tente reciclar o máximo que puder”, aconselha Rachelle.

Fonte

Publicado por: envirotools | 10 janeiro, 2011

O impacto da poluição sonora na vida dos mamíferos marinhos

O fundo do mar parece ser um lugar silencioso – mas não é. Um estudo conduzido nos últimos dez anos pelo Programa de Pesquisa Bioacústica da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e recém-divulgado, concluiu que o ambiente marítimo não está a salvo da poluição sonora. O que perturba as profundezas não é o mesmo ruído da superfície, até porque a propagação do som na água é quatro vezes mais rápida e eficiente do que no ar. Por isso, é natural que mamíferos marinhos e alguns peixes usem o som para se comunicar. Aí está, por sinal, o problema ambiental. Os sons de baixa frequência produzidos pelos propulsores dos navios, turbinas de vento, plataformas petrolíferas e fazendas pesqueiras viajam grandes distâncias no oceano. O barulho reverbera pelas profundezas, e baleias, golfinhos e certos peixes que se comunicam com sons de baixa frequência ficam atordoados, como se estivessem no meio de um permanente show de rock pesado.

Os cetáceos dependem da audição para encontrar alimento, reproduzir-se, fugir de predadores e se manter unidos durante migrações. Por essa razão, a poluição sonora é no mar o que o desmatamento representa em terra: uma redução do habitat. Os pesquisadores descobriram, por exemplo, que as baleias-francas-do-norte, que se reuniam na Baía de Cape Cod, na costa leste dos Estados Unidos, para se alimentar e acasalar, estão deixando o local. O motivo, eles suspeitam, é o barulho. “Não sabemos para onde os mamíferos foram, mas sabemos que eles não suportam toda essa atividade no mar e partem para locais mais silenciosos”, disse a VEJA o americano Chris Clark, coordenador da pesquisa de Cornell. O biólogo Marcos Rossi, do Instituto Baleia Jubarte, explica: “Uma vez que o ambiente marinho está repleto de ruídos, as baleias não apenas têm dificuldade para se orientar pelos barulhos naturais do oceano como também para se comunicar entre si, o que é vital para todas as espécies”.

As baleias não são os únicos animais afetados. Os golfinhos, por exemplo, devem estar igualmente incomodados. Ocorre que as francas-do-norte são as mais protegidas e estudadas de todas as baleias. Os pesquisadores chegam a conhecer por um nome próprio cada um dos 350 exemplares identificados no Hemisfério Norte. O interesse decorre da quase extinção da espécie, cuja caça foi proibida em 1935, quando restavam menos de 100 espécimes. Por nadarem devagar e perto da costa, esses animais magníficos, com 17 metros e 70 toneladas, foram presas fáceis dos baleeiros – a ponto de a espécie ser chamada de right (certa, em inglês) . Era a baleia “certa” para ser arpoada. Se for confirmado que o futuro dela está ameaçado pelo barulho, desta vez não há nada a fazer, exceto suspender todo o tráfego marítimo. E isso jamais vai acontecer.

Fonte

Publicado por: envirotools | 6 janeiro, 2011

“As empresas não sabem ouvir, só falar”

Sempre que escuta a palavra sustentabilidade, o paulista Roberto Leite espicha o ouvido. Quer saber se estão usando o termo, segundo ele um tanto etéreo, da forma correta. Incomodado com a onda do marketing verde, Leite – jornalista por formação e blogueiro por convicção – decidiu expor na internet o ponto fraco das companhias. Criou o blog “Testanto os limites da sustentabilidade“. Usa os relatórios de sustentabilidade das empresas para armar a arapuca.

A ideia de fazer um blog para avaliar os relatórios (e, mais importante, as ações) das empresas surgiu em agosto passado. Leite lê com atenção cada página dos documentos. Elabora uma série de questionamentos para lá de contundentes. E, por fim, encaminha aos responsáveis pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), assessoria de imprensa ou outros canais de comunicação.

Leite tem 32 anos, é comerciante e mora na cidade de Ourinhos, no interior de São Paulo. Ligado ao tema socioambiental há mais de dez anos, diz ler tudo o que encontra sobre o assunto. Com a ajuda de um professor universitário e de internautas, ele cutuca as companhias com perguntas incisivas. Cobra dos bancos uma carteira de clientes mais responsável. Questiona as produtoras de açúcar e álcool sobre as condições de trabalho dos cortadores de cana. Exige das companhias explicações detalhadas sobre seus impactos no meio ambiente.

A função dos relatórios é mostrar aos consumidores, fornecedores e parceiros até que ponto a sustentabilidade está no cerne da empresa. Eles dizem se (e como) a companhia se preocupa com as comunidades envolvidas no negócio. Mostram quanto cada unidade de produto consome de água e energia durante a fabricação. E, mais importante, listam as metas que as empresas pretendem alcançar nos próximos anos – sempre pensando em melhorias sociais e ambientais. Na opinião de Leite, eles deixam a desejar. “Se você não tem um olhar crítico, acaba acreditando naquele monte de foto bonita”, afirma. “Tem muita empresa vendendo sacolinha de pano e se auto-intitulando sustentável”.

Abaixo, Leite fala dos piores e melhores relatórios que já cruzaram seu olhar crítico.

Época – De onde surgiu a ideia de analisar relatórios de sustentabilidade?
Roberto Leite –
A ideia surgiu em agosto de 2010. Sempre me interessei pelo tema. No entanto, ao ler os relatórios vi que o que era apresentado, em alguns casos, era dúbio, inconsistente e fraco de conteúdo. Era mais uma peça publicitária do que realmente um relatório. Aí pensei: por que não perguntar para as empresas as dúvidas que tinha com o relatório e discutir com as pessoas essas dúvidas?

Época – Quem mais participa das avaliações?
Leite – Não vejo como uma avaliação, mas como um cidadão interessado pelo tema e que, ao ler o material, tem algumas dúvidas e busca respostas. Hoje somos duas pessoas diretamente. Mas temos apoios esporádicos de pessoas que enviam comentários pelas redes sociais. Elas nos dão um norte sobre qual empresa poderíamos pesquisar.

Época – Que critérios vocês usam para fazer as análises?
Leite – Nos atemos ao texto. Somente ao que está escrito, tendo como referência, às vezes, as campanhas publicitárias que referendam os relatórios ou contradizem os dados apresentados.

Época – Num balanço geral, você tem encontrado que tipo de empresas?
Leite –
Posso dividir as empresas em duas: 1) A indústria, em sua maioria, apresenta relatórios mais sólidos. As ações de sustentabilidade estão diretamente ligadas à gestão da empresa (o negócio em si). 2) Já na grande maioria das empresas de serviços (bancos, por exemplo), as ações de sustentabilidade são dissociadas do negócio. São mais uma ação publicitária do que efetivamente algo na gestão da empresa. Vejo que algumas empresas confundem sustentabilidade com meio ambiente. Não é só isto. Noto que, em muitos casos, a sociedade está fora do processo de gestão.

Época – Na sua opinião, as empresas estão mais transparentes?
Leite –
Se compararmos com um cenário de dez anos atrás, com certeza as empresas estão mais transparentes. Mas acredito que elas têm muito a melhorar na relação com a sociedade. As organizações ainda funcionam no modelo antigo de comunicação de massa. Sabem falar muito bem, mas não sabem ouvir.

Época – As empresas atacam os pontos certos em seus relatórios?
Leite –
Em grande parte não. Poucas discutem em seus relatórios questões como a forma que suas atividades impactam na sociedade. É interessante ver que os bancos se preocupam muito com o meio ambiente, e menos com a forma de oferecer crédito de maneira justa para as pessoas. Ou então com educar a população para o uso racional do dinheiro. É fácil falar em impacto ambiental quando seu negócio dificilmente poderá ser criticado sob essa ótica. Essas jogadas ficam evidentes quando questionamos as empresas sobre ações em que elas devem realmente responder para a sociedade. Um ponto interessante que as empresas apresentam nos relatórios (e que deve ser realmente questionado) são as ditas ações de sustentabilidade divulgadas amplamente pelas empresas. E que são de custo zero para as organizações, como aquelas em que o cliente paga pelo projeto (por meio de doações). Ou aquelas em que o contribuinte paga pelo projeto (via dedução fiscal). Nesses pontos, as empresas têm de deixar claro qual a sua parte no processo. É muito fácil dizer que desenvolveu algo de bom para a sociedade quando quem botou a mão no bolso foi o cliente ou o contribuinte. Outro ponto de destaque é utilizar algo legal como responsabilidade social e ambiental. Por exemplo: o programa jovem aprendiz do governo federal (todas as empresas são obrigadas a fazer, é lei) ou uma compensação ambiental que, como o próprio nome diz, é uma compensação.

Época – Qual foi o relatório mais superficial que encontraram?
Leite – O mais fraco com certeza foi o da AMBEV. A frase que mais me assustou no relatório foi: “gerar valores econômicos para todos os nossos acionistas diretamente e para a sociedade, por meio do pagamento rigoroso de todos os impostos”. Que eu saiba, pagar impostos é obrigação de qualquer pessoa ou empresa, não? O que isso tem de tão inovador? Se for realmente importante, a empresa atesta que seus concorrentes ou demais organizações são sonegadores de impostos – e assim isso seria um diferencial para ela.

Época – E o mais consistente?
Leite – Posso citar dois. O da Natura e o da Petrobras. São relatórios muito bem escritos. E reportam bem as questões de sustentabilidade.

Época – Quais são os furos mais recorrentes nos relatórios?
Leite – De uma maneira geral, os relatórios são trabalhados por três agentes: 1) redator publicitário. 2) o cara que envia as planilhas e tabelas. 3) o diagramador. O furo é que eles não conversam para fazer o relatório. Isso fica evidente quando você lê, pois o texto publicitário é maravilhoso, as fotos são lindas. Já os gráficos e tabelas apresentam resultados pífios e inconsistentes.

Época – Você já teve problemas com alguma empresa?
Leite –
Não vejo como problema, mas dificuldade em obter a resposta. O Bradesco apagava nosso protocolo de registro das perguntas e afirmava que eu não havia feito o questionamento. Só obtivemos a resposta depois de conseguir o contato direto de um profissional responsável pela atividade dentro da empresa. Outro caso interessante foi com a Bovespa. Eles não conseguiram explicar direito como uma empresa que produz arma de guerra faz parte do seu Índice de Sustentabilidade.

Época – Qual reclamação gerou mais repercussão? Alguma empresa mudou comportamentos, produtos ou algo do tipo?
Leite – O caso de maior repercussão foi com o Santander. Depois de um longo processo na tentativa de obter a resposta do banco, eles oficialmente (via SAC) negaram uma resposta. Reportamos isso via canal do banco no Twitter. Depois de três dias, recebemos um telefonema do diretor de sustentabilidade da empresa, perguntando se era ainda possível responder. Por meio do nosso trabalho, foi detectada uma falha no processo de comunicação da empresa.

Época – Qual é o limite da sustentabilidade mais recorrente nas empresas?
Leite – O limite da sustentabilidade das empresas está em não saber ouvir, só falar. Algumas não gostam de ser questionadas. Chegam a perguntar por que queremos determinadas informações. Respondemos que o dado é público e que gostaríamos de informações adicionais. As empresas não focam no ponto certo: onde realmente seu negócio impacta na sociedade e no meio ambiente. A maioria dos relatórios é auditada por grandes empresas de consultoria contábeis (do ponto de vista financeiro, o relatório é excelente, mas de resto…) e cheio de selinhos, mas não responde o que realmente deve ser respondido. Não dizem o que a empresa oferece de bom para a sociedade e como reduz os impactos que produz.

Outro lado

Procuradas por Época, as empresas responderam o seguinte:

AMBEV

“A Ambev possui vários canais de comunicação com os mais diversos públicos em seu site. A companhia esclarece que há um fluxo para atender as demandas, uma vez que são muitas, mas todos os e-mails são devidamente respondidos. Sobre as questões do Sr. Roberto Leite, a companhia afirma que as respostas constam no Relatório de Sustentabilidade de 2008 e nas demais seções do site, mas de qualquer forma as respostas serão enviadas”.

BRADESCO

“O Bradesco sempre se preocupou com a excelência dos produtos e serviços prestados aos seus consumidores. Prova disso foi a criação do Canal Alô Bradesco, em 1985, cinco anos antes da oficialização do Código de Defesa do Consumidor. Os clientes e usuários podem registrar suas manifestações da seguinte forma:

- pelas Centrais de Atendimento SAC – 24 horas por dia, sete dias na semana. Principal contato telefônico – SAC Alô Bradesco 0800-7048383.

- Acessando o site www.bradesco.com.br, link Fale Conosco.

Temos também um novo canal de relacionamento que vem se mostrado muito eficaz: o Twitter, que também é monitorado 24 horas, sete dias por semana.

Com relação a ausência de resposta à consulta realizada no Fale Conosco (protocolo 0555347), afirmamos que em hipótese alguma qualquer manifestação é desconsiderada ou eliminada dos sistemas do Bradesco. O fato em questão é um problema técnico isolado.

Esclarecemos ainda que para atendermos ao Decreto 6523, o Bradesco trabalha atualmente com dois sistemas distintos, um para atender o SAC (Central de Atendimento) e outro para atender as manifestações recebidas pela Internet, o que explica a atendente não ter localizado a manifestação em referência. O Bradesco tem o compromisso de melhoria contínua de seus processos, portanto encontra-se em desenvolvimento um novo sistema, que integrará todos os canais de entrada de manifestações”.

BOVESPA

“O ISE é um índice que tem por premissa “screnning positivo”, ou seja, não há restrição prévia de participação de empresas no processo, desde que atendam o pré-requisito de ser uma das 200 companhias com ações mais líquidas na BM&FBOVESPA. Trata-se de um índice inclusivo, porque acreditamos que sustentabilidade é um tema em constante processo de evolução e devemos envolver todas as empresas na discussão e nos instrumentos oferecidos.

No entanto, o Índice considera e avalia de forma muito criteriosa a Natureza do Produto da empresa que é uma das dimensões do questionário. É nesta dimensão que a empresa precisa fornecer informações detalhadas e documentos comprobatórios sobre seus produtos e serviços.

O impacto de um determinado produto em seus consumidores e na sociedade como um todo é fator determinante na sua avaliação, e por isso a dimensão Natureza do Produto é composta por vários Critérios e Indicadores:

Critério I – Impactos Pessoais do Uso do Produto

Indicador 1: Riscos para o Consumidor ou Terceiros

Critério II – Impactos Difusos do Uso do Produto

Indicador 2: Riscos Difusos

Indicador 3: Observância do Princípio da Precaução

Critério III – Cumprimento Legal

Indicador 4: Informações ao Consumidor

Indicador 5: Sanções Judiciais ou Administrativas

Para integrar a carteira do ISE, a companhia precisa performar satisfatoriamente nas seis dimensões comprovando suas repostas a um questionário extenso e profundo, que considera todas as dimensões da sustentabilidade, e que foi desenvolvido e é avaliado por uma equipe referência no tema nacional e internacionalmente, o GVCes – Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-SP. As dimensões do ISE são: Geral, Natureza do Produto, Governança Corporativa, Econômico-Financeira, Social, Ambiental e Mudanças Climáticas (criada em 2010, em caráter experimental. De preenchimento obrigatório, mas sem pontuação).

Por questão de confidencialidade, o Conselho do ISE, o GVCes e a BM&FBOVESPA não fazem pronunciamentos particularizados por empresa. É claro que uma empresa que tenha mais gaps ou problemas em uma(s) determinada(s) dimensão(ões) precisa se empenhar mais nas demais, elevando, assim, sua performance como um todo e credenciado-se a compor a carteira. O Conselho do ISE entende que, sendo sustentabilidade um tema em constante evolução, as empresas que compõem a carteira do ISE representam um benchmark do tema no Brasil, porém com itens a melhorar constantemente.

A Embraer é uma empresa listada em Bolsa no Brasil e exterior, cujas ações estão entre as 200 mais líquidas do mercado brasileiro, e de atuação legal no País. Sendo assim, ela está plenamente apta a participar do processo de seleção do ISE. Sugerimos que mais detalhes sobre a composição do portfólio da empresa, bem como a relação de tipo de produto x faturamento, sejam obtidas diretamente com a empresa. Desta forma, acreditamos que será possível traçar um panorama e fazer uma avaliação mais completa sobre o tema”.

Sonia Favaretto
Presidente do Conselho Deliberativo do ISE

SANTANDER

“O Santander informa que respondeu os questionamentos do blog Testando os Limites da Sustentabilidade, que publicou as respostas no dia 11/11/2010. O Banco reforça que considera fundamental o papel das mídias sociais, que contribuem, cada vez mais, com a interação entre as instituições e o público em geral”.

Fonte: Época

A televisão estatal da China anunciou nesta segunda-feira que o país desenvolveu um processo próprio para reprocessar combustível nuclear que poderia garantir o abastecimento de suas usinas por 3 mil anos.

O país lançou um ambicioso programa para construir diversas usinas nucleares, mas a mídia estatal afirma que o atual estoque chinês de urânio – usado no programa nuclear – é suficiente apenas para os próximos 70 anos.

Há 24 anos cientistas chineses vêm trabalhando no método de reaproveitamento de combustível.

O novo sistema é caro e complexo, mas permite que combustível nuclear usado seja utilizado novamente nas usinas.

A China não é o primeiro país a desenvolver estações para reprocessamento de combustível nuclear – França, Grã-Bretanha e Índia já têm tecnologias similares para isso.

Mas, no caso chinês, a tecnologia terá implicações ainda mais significativas, já que o país tem procurado reduzir a atual dependência do carvão por meio da diversificação de suas fontes energéticas.

Fonte

A Enviro Tools deseja que 2011 seja um ano lembrado por suas conquistas, conscientização e igualdade.

Publicado por: envirotools | 8 novembro, 2010

MMA cria plano para estimular o consumo sustentável

O Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) prevê parcerias entre a iniciativa privada, o governo e a sociedade para repensar os modelos de produção e consumo brasileiros. A idéia é tornar o país mais eficiente e consciente de que os recursos naturais não são infinitos.

O PPCS será uma espécie de “guarda-chuva” de programas e ações, servindo assim como uma ferramenta de articulação entre essas iniciativas.

No momento, o novo plano está disponível para consulta pública, que vai até o dia 11 de novembro, no site www.mma.gov.br/ppcs.

“A vida das pessoas vai ser afetada diretamente, por isso pedimos que elas participem, por meio de suas organizações da sociedade civil, empresas e órgãos públicos”, solicita Samyra Crespo, Secretária da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.

Prioridades

No Brasil, estima-se que entre 10 e 15% do PIB é utilizado para compras da União, o que torna o governo um importante indutor de mercado e da chamada economia verde. Por isso é tão importante traçar diretrizes para que essas compras sejam bem orientadas visando o uso racional dos recursos.

O PPCS sugere um conjunto de práticas que vai desde o estabelecimento de leis, da criação ou supressão de impostos, do oferecimento de subsídios, por exemplo, para os reciclados e recicláveis, ao estabelecimento de um portfólio de produtos que vão ser incluídos prioritariamente nas licitações públicas.

Para o setor privado, o PPCS pretende discutir a possibilidade da adoção de práticas sustentáveis de produção e que tipo de incentivo tornaria isso mais fácil de acontecer.

Além disso, o plano quer que as empresas participem da promoção de mercadorias verdes para que os consumidores tenham mais acesso a esse tipo de produto.

O Plano leva em conta os novos marcos legais, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e  pretende incentivar a reciclagem tanto por parte do consumidor como por parte do setor produtivo.

A idéia seria promover ações de responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos e de logística reversa, ou seja, a reutilização dos resíduos como matéria prima. Também caberia ao plano incentivar a indústria da reciclagem com inclusão social, com projetos de inserção dos catadores.

Um dos pontos mais importantes do PPCS é o que trata da reeducação dos consumidores.

Entre essas medidas estão:

- Desenvolvimento de módulos de educação ambiental voltados para o consumo sustentável ou consciente, com a utilização de plataformas de educação à distância e diferentes mídias, destinadas ao público escolar e da educação não formal;

- Formação continuada de professores em educação para o consumo sustentável, (parceria MMA, MEC, UNESCO, PNUMA – além de outras visando a atingir o setor privado), a fim de estimular a comunidade escolar a adotar o consumo consciente.

- Realização de pesquisas, aproveitando os dados já disponíveis coletados e analisados pelo IBGE e IPEA, adicionando estudos sobre o comportamento do consumidor brasileiro de forma a tornar mais efetivas as políticas públicas orientadas para engajá-los no consumo sustentável;

- Engajamento do Projeto Salas Verdes, através da distribuição em 2011 de kit temático de educação para o consumo sustentável nas 350 salas cadastradas no projeto.

Crise de Recursos

Segundo a WWF desde 1966 o consumo de recursos naturais já teria dobrado e em 2030, se nada for feito para alterar os hábitos da população, não haverá recursos naturais suficientes no planeta para atender a todas as pessoas.

No relatório Living Planet Report, a ONG descreve como o atual padrão de consumo já resultou na perda de quase 60% da biodiversidade nos países mais pobres nos últimos 40 anos.

Diante desses dados, o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis vem realmente em boa hora. Muitos concordam que a melhor maneira de combater a crise ambiental é mesmo através da mudança dos hábitos de consumo.

“É um plano que ajuda a caminharmos juntos em terreno mais sólido. Para fazermos o Brasil e o nosso povo avançar em direção a um futuro mais promissor”, afirma Izabella Teixeira, Ministra do Ministério do Meio Ambiente, na apresentação do plano.

Assim que terminada a fase da consulta pública, o PPCS deverá ser aprovado pelo Comitê Gestor designado, formado por representantes de vários ministérios, e colocado em prática já em 2011.

Fonte

 

Publicado por: envirotools | 5 outubro, 2010

Embalagem e bloco de anotações do relógio VUE

O suiço Yves Béhar, da Fuseproject, se juntou ao designer Issey Miyake e criaram o VUE Watch. Além de inovar no relógio, a embalagem também foi desenvolvida para fazer as pessoas questionarem as outras embalagens de relógio. O design da embalagem é um bloco de papel reciclado, que esconde o relógio em suas camadas.

As horas do relógio VUE (vista, visão) aparecem apenas quando o ponteiro fecha o ciclo de uma hora (melhor não marcar nenhuma reunião no meio disso para não perder). O relógio de Miyake é analógico, mas em vez de mãos, ele tem um círculo gráfico que se move em torno do centro, destacando a hora, enquanto as horas anteriores e seguintes aparecem como um rascunho meio apagado.  “O relógio é uma forma de sentir o tempo de aparecimento e desaparecimento em nossas vidas”, disse Behar. E a embalagem do relógio VUE ainda vai durar por muito tempo.

Fontes ¹ e ²

A Amazônia enfrenta uma forte seca. Por causa da falta de chuva, os Rios Javari, Juruá, Japurá, Acre, Negro, Purus, Iça, Jutaí, Solimões e Madeira estão com níveis abaixo da média, o que prejudica a navegação, o transporte e o abastecimento das comunidades locais. Com isso, o transporte de alimentos e passageiros já restrito ao período diurno, por razões de segurança, pode ser proibido pela capitania dos portos de Porto Velho para transporte de veículos pesados por balsas.

Em Tabatinga, por exemplo, o nível do Rio Solimões baixou acentuadamente dificultando a navegação até Tefé. Por razões de segurança, a navegação agora está limitada ao período diurno. No Porto de Manaus, o nível do Rio  Negro estava em 20,67 metros no dia 8 e vem caindo dia-a-dia – a menor cota no Porto foi registrada em 1963, 13,64 metros.

A população de pelo menos 26 municípios do Amazonas está sendo afetada pela seca, uma vez que os rios desempenham papel fundamental nos transporte de pessoas e mercadorias. A população está tendo de percorrer grandes distâncias para obter água de boa qualidade, já que, em muitos casos, a qualidade da água disponível está comprometida devido à mortandade de peixes.

No Rio Abunã, em Porto Velho, desde maio a cota medida também vem acompanhando os níveis da estiagem de 2005, embora um pequeno avanço tenha sido observado a partir de 3 de setembro. Por causa da seca, a capitania dos portos da região proibiu o transporte por barcos de alimentos e passageiros no período noturno e ameaça suspender por tempo indeterminado o transporte de veículos pesados pelas balsas, o que pode prejudicar o abastecimento de alimentos e outras mercadorias essenciais, como combustíveis, nos estados de Rondônia e, principalmente, do Acre.

Situação dos rios conforme levantamento realizado pela Agência Nacional de Águas (ANA) nos seus postos hidrometeorológicos:

Bacia do Rio Juruá
Em Eirunepé, o nível da água está 1,37 metro acima da máxima vazante registrada em 10/9/1995. Em Gavião, o nível da água atual está 2,14 metros acima do valor registrado em 2005, ano da maior vazante.

Bacia do Rio Purus
Os níveis da água continuam muito baixos nas duas estações monitoradas. Em Rio Branco (AC), o nível do Rio Acre está apenas 23 cm acima da maior vazante registrada na série histórica, que ocorreu em 14/9/2005. Em Boca do Acre, no Rio Purus, o nível da água está apenas 55 cm acima da vazante máxima, registrada em 7/10/1998.

Bacia do Rio Japurá
O nível da água atual está 2,19 metros abaixo do nível registrado na mesma data em 2009.

Bacia do Rio Negro
Níveis normais para o período.

Bacia do Rio Solimões/Amazonas
Os níveis da água continuam com valores abaixo dos registrados nos anos das vazantes máximas em todas as estações monitoradas, exceto Tabatinga, onde o nível atual está 74 cm acima da máxima vazante histórica, que ocorreu em 29/9/2005.

Bacia do Rio Madeira
Em Humaitá, o nível da água atual está 72 cm acima do valor registrado na mesma data do ano da vazante máxima (1969). Em Porto Velho, o nível d’água atual está 98 cm acima do valor registrado na mesma data do ano da vazante máxima (2005).

Bacia do Rio Javari
O nível da água atual está 4,57 metros mais baixo que o nível registrado na mesma data do ano 2009.

Fonte

Publicado por: envirotools | 8 julho, 2010

Para onde vai o petróleo

Desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon, no dia 20 de abril de 2010, a propagação da mancha de óleo vem sendo acompanhada por meio de imagens de satélites.

Neste vídeo de alta definição a mancha tem sua forma a extensão esquematizadas até o dia 13 de junho. E previsão computacional realizada pelo National Center for Atmospheric Research demonstra o que pode ocorrer nos próximos dias se a mancha encontrar certas correntes marítimas. O resultado não parece ser nada animador.
Lembrando que são simulações utilizando um ´corante virtual´, com acompanhamento da diluição e propagação deste com o passar do tempo.
Detalhes em http://www2.ucar.edu/news/oil-spill-animations

O que acontece quando o petróleo é derramado no mar?
(com legendas em português)

Fonte: Blog Massa Crítica

Publicado por: envirotools | 18 junho, 2010

José Saramago

“Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.”

(José Saramago)

A morte do escritor português José Saramago nesta sexta-feira, 18, deixou entristecidos não só os apreciadores de sua excelente literatura, como também os defensores dos animais. Saramago mostrava uma nobreza de alma e sensibilidade comovente também em relação aos animais não humanos. Sua compaixão por eles foi visível em inúmeros textos e responsável pela disseminação de ideais de justiça e respeito a todos os seres.

Crítico contumaz do confinamento animal, o escritor, que tinha 87 anos, relatou em um belíssimo texto a tristeza que vivem os animais mantidos em circos e em zoológicos para entretenimento humano (clique aqui para ler o texto na íntegra no blog do escritor). Ele chegou a visitar a elefanta Susi, que vivia num zoológico na Espanha e estava passando por depressão, estresse e solidão. Saramago, ao vê-la, disse que ela estaria “morrendo de tristeza”.

Em sua obra Ensaio sobre a Cegueira, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Literatura, Saramago não trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra. “Por que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo, não veem”.  Uma grande reflexão que pode ser aplicada ao imenso sofrimento que a humanidade, cega da alma, aplica insensivelmente a tudo e a todos a seu redor. A cegueira da moral e da ética.

A cegueira que beira a irracionalidade também foi abordada por Saramago no texto “A Racionalidade Irracional”. Um relato que não poupou o ser humano, ao mostrá-lo como cruel, torturador, apesar de sua razão que deveria ser mantenedora da vida. Analisa e mostra a mesquinhez humana que vai atrás do lucro, do êxito e do triunfo, massacrando os seres que mereceriam seu respeito. Levanta a questão não só dos direitos humanos, mas dos deveres humanos.

Deixamos aqui nossa homenagem a José Saramago, que nos enriqueceu com sua brilhante literatura e nos presentou com seu olhar generoso e lúcido sobre os direitos animais.

Fonte

Posts mais antigos »

Categorias

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.