Há uma tendência em apontar os grandes vilões ecológicos.Torna-se cômodo responsabilizar apenas os grandes fabricantes e exploradores de matéria-prima. É determinante relembrar a péssima distribuição de renda, culminando na ínfima parcela que usufrui diretamente neste lucro. Em muitos casos, esta parcela não tem acesso a informação e consciência da sua participação no impacto ambiental.
É necessária uma visão mais abrangente do quadro econômico e sociológico.
Se grande parte dos brasileiros não tem acesso à informação e julgam banal jogar lixo em vias públicas, não se trata apenas de um valor cultural que prega a inutilidade da ação individual. É um reflexo dos mitos presentes nos chamados “deveres ambientalistas”.
Primeiro Mito
Tudo o que é ecologicamente correto é caro. É apenas uma preocupação de quem pertence a classes econômicas dominantes.
A renda per capta no Brasil é destinada principalmente á alimentação. Em famílias cuja renda é inferior, a pirâmide alimentar é focada majoritariamente em amido e açúcar. O que compromete a qualidade de vida dos que não podem pagar por comidas com “selo verde”. Estas que justamente pelo apelo mercantilista, tem preços acima da média.
Uma solução possível, seria um programa de nutrição focado no reaproveitamento de alimentos e informações básicas sobre uma alimentação balanceada. Frutas, verduras, legumes e grãos são mais acessíveis e econômicos.
Segundo Mito
Sempre há dano, sendo assim é inútil consumir algo “menos danoso”, quando a imensa maioria ainda está imersa em antigos valores.
As ações “ecológicas” não são base para um altruísmo pautado na “vaidade em obrar o bem”. As mudanças são progressivas, a opressão contra determinados grupos étnicos por exemplo, não foi erradicada por completo em dias atuais. Mesmo que a apropriação de memória histórica reforce os indivíduos de determinados grupos, como merecedores dos direitos básicos humanos.
Terceiro Mito
Não viveremos o suficiente para sofrer as conseqüências.
As conseqüências vão desde o comprometimento da qualidade de vida (poluição, alimentação…), até o trânsito e a enchente causados pelo entupimento de vias que canalizam a água.
A exploração ambiental não se resume aos ursos polares que morrem afogados, na procura de uma formação de gelo para descansar. Justamente por ser parecer tão longe de nossa realidade, sua gravidade pareça menor.
De acordo com dados levantados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), 51% dos casos de trabalho escravo ocorridos no Brasil em 2008 estavam ligados à pecuária.
A exploração de outras espécies e ecossistemas é agregada a nossa sobrevivência. E quanto a isto, somos todos responsáveis.